
Mia. Não podia ter sido mais bem escolhido o nome do (quarto) elemento feminino mais recente da família... Pois é, sucumbimos aos desígnios da minha filha, oferecemos-lhe antecipadamente - porque se embrulhássemos não chegaria à consoada - o (suposto) seu único presente de Natal: uma gata e respectivos acessórios...
Como tinha de ser muito felpuda, inquebrável (por causa das “efusivas festinhas” da minha filha), companheira, meiga, asseada e pachorrenta, constatámos que uma persa seria a melhor solução.
Fiz finca-pé até ao fim, explicando ao consórcio feminino que uma gata não é um peluche: come, evacua, pede atenção, adoece, vai ao veterinário, deprime-se, tem “fases”, arranha, enfim... é um ser vivo (mais vivo até do que pensei!!).
Tentei negociar com aqueles peluches altamente sofisticados, alimentados a pilhas, que além de ladrarem e darem ao rabo, ainda fazem chichi; mas sem sucesso. De entre um leque de opções que estiveram em cima da mesa (cães, chinchilas, hamsters, tartarugas, porcos-da-índia ou coelhos anões) e que eu automaticamente excluía, lá me intimaram a escolher o felino doméstico, que, convenhamos, será dos que menos trabalho dá... Era grande a amplitude de resposta: ou “sim” ou “agora”. Claro que emiti um rotundo “não” a todas as hipóteses e claro que a minha opinião foi meramente consultiva pois o “agora” delas prevaleceu...
Confesso que é já a segunda experiência felina cá em casa; a primeira durou três dias ou pouco mais. Era uma rafeirinha beje de nome “Flora” encontrada na rua, já muito débil e, percebemos depois, portadora de doença fatal... foi um choque vê-la definhar e daí esta minha relutância!...
Pois é, mas cá está a Mia... temperamental como só uma mulher, agora mais relaxada e tranquila... Mas na primeira noite, era ver-nos às seis da matina todos a pé, porque Sua Majestade A Princesa ou “estranhou a cama” ou, pior, deliberadamente não nos quis deixar dormir... miando a bom miar, como que a dizer “Sou ou não sou um bom motivo para perderem o sono?”. Daí que eu tenha comentado, sem grande motivo para piadas (previsíveis), que o nome lhe assentara que nem uma luva. Felizmente temos Einsteins cá em casa, e alguém em boa hora se lembrou de deixar Sua Alteza comodamente instalada na cozinha, vedando-lhe (durante o nosso sagrado sono) o acesso aos quartos. Bingo! A Mia parou de miar pela noite dentro... bem, pelo menos eu deixei de a ouvir...
E assim foi nestes primeiros dias: a Mia quer companhia para comer, a Mia mia. A Mia quer vigilância ao seu chichi, a Mia mia. A Mia está sozinha, a Mia mia. A Mia quer atenção, a Mia mia. A Mia não quer nada, e mesmo assim a Mia mia. Ufa! O pior de tudo é que esta gata não foi só uma prenda antecipada para a minha filha, acabou por ser uma prenda para o quarteto de habitantes destes aposentos, nomeadamente para mim, que não estava nada para aí virado. E ainda maior para nós do que para ela, porque foi uma paixão inadvertida, enquanto ela já a amava antes de a ter!
Quanto à marca, trata-se de uma persa vermelha (onde??) tricolor. Para mim é uma garfieldzinha. Cómica até mais não. Tem tanto de pachorrento, como de impulsivo e brincalhão. Também... só tem três meses, não é... mas acima de tudo é ternurenta como só visto!
Ao terceiro dia de Mia-cá-em-casa, temos uma Mia cada vez mais desinibida: a Mia apodera-se gradual e literalmente de toda a casa e de todos os colos (nomeadamente o da “bisavó”, embora não seja esquisita). Devora comida como nenhuma lady que se preze e ainda tem lata de devorar corações, pois estamos todos rendidos ao seu doce ronronar que gradualmente se impõe ao miar hiper-mimado! Notícias frescas: foi ao Veterinário e... é saudável, é só mesmo desparasitar e está aí para as curvas.
Posto isto, e antes que a quadra me escape, desejo-vos um Bom Natal, cheio do “essencial” para serem felizes... E “essencial” pode bem ser um nome para um animal, basta querermos... Façam o que eu não fiz: não comprem, adoptem. Tudo de bom.




Quando começamos a perceber que duas em cada três pessoas que nos rodeiam no dia-a-dia são mais novas do que nós, há duas coisas que não estão bem: uma é o facto de estarmos a ficar galopantemente mais velhos (contribuindo assim para a triste estatística europeia!), a outra é o facto de começarmos com as célebres paranóias da idade.


A vantagem, para mim, de falar de qualquer assunto específico reside no facto de eu não me considerar especialista (ainda que possa ser) de coisa alguma, logo, o grau de exigência que me é pedido é o de um cidadão comum, de Q.I. médio, como creio ser, digo eu…

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